terça-feira, 12 de agosto de 2008

Admirável mundo sublingual

Hilário, quando nos deparamos com o universo feminino contido dentro da bolsa. São dezenas de coisinhas que compõe um universo de acessórios, ou quem sabe, verdadeiros utensílios de valor imenso no dia a dia.
Em meio a dinheiro, cartões, maquiagem, absorvente, telefone celular e etc eu sempre levei dadinho pra mastigar impensadamente, abrindo o papelzinho metalizado num gesto automático e rapidamente acumulando uma montoeira deles em qualquer lugar.
Em alguns ataques de nervosos, surtos ocasionais e sui generos lá estavam ao alcance de meus dedos os quadradinhos de amendoim que se derretiam embaixo de minha língua e que conseguiam me acalmar pelo tempo da duração do pacote.
Depois de constatar que eu não podia mais ingerir tanta gordura, tanto açúcar e outras porcarias, comentei com meu guruterapeuta o caso.
A coisa é que os doces, basicamente os mais engordativos e principalmente o nosso querido amigo marrom, o chocolate são os primeiros alvos de uma depressiva desesperada (vide os filmes americanos onde a heroína chora na cama, coberta por embalagens de comida e come sorvete com a colher direto no pote).
Notei que me tornaria uma gorda depressiva!!! E, não posso engordar, não posso e não posso! Não me permito sofrer a consequência do sedentarismo depressivo ( e também me recuso a malhar).
Através da fabulosa farmacologia, conheci o Rivotril SL. Quando vi escrito na receitinha azul o SL, perguntei ao guruterapeuta o que significava a sigla.
Antes que ele respondesse, eu interrompi com um: "Super Luxo?". E ficou.
São milagrosas pastilhinhas que derretem embaixo da língua e supostamente não deveriam ter sabor, mas eu insisto que possuem lá no fundo um quê meio mentolado.
Eu sempre digo pra mim mesma "isso não é pra chapar, é pra relaxar" porque o médico disse pra eu jogar uma na boca quando a luz vermelha acender.
Agora eu posso ter o luxo de diminuir a ansiedade sem calorias. Maravilha farmacológica?
Eu lembro de quando eu era pequena e consequentemente um pequeno avestruz devorador de porcarias calóricas, o consumo destas não estava relacionado à ansiedade, mas ao prazer e a euforia próprias de crianças (crianças normais).
Hoje, lanço mão do meu diplick benzodiazepínico e sigo andando, tranquila.

Admirável mundo sublingual!
Por Chris e Ju

sábado, 9 de agosto de 2008

Nunca se sabe

É sempre assim.
Eu sento aqui nesse canto pra ficar 5 minutos, ver emails, ver se descolo alguma conversa exótica no msn..Eu sempre procuro um entorpecente. Mesmo que este seja uma pessoa que possa fazer meu cigarro queimar inteiro no cinzeiro esperando uma tragada.
É o que dá a revolta por ser consciente. Vontade de fugir ou de explodir tudo, puxa isso é tão imaturo.
Ontem, tive dor no estômago. Chupei 3 Pepsamar no escritório até descobrir que minha azia era a garota que trabalha na estação atrás de mim. Acho que foi alguma coisa que ela tinha pensado ou dito que desceu errada aqui.
Depois que acabou o turno dela, fui ao toalete e senti fortes dores provocadas por flatulência e tomei um luftal. Sem mais dor no estômago, nem no intestino.
Eu não sabia que era tão útil carregar um antiflatulento na bolsa, principalmente em situações corporativas. Perguntei à outra colega de trabalho se ela também tinha esse hábito e ela disse que sim. Quer dizer que só eu não sabia?
Certo, meu próximo passo é carregar lencinhos umedecidos Vagisil para as emergências e uma calcinha limpa porque nunca se sabe. Mas, espere. De nada adianta eu querer transmitir o frescor de banho nas minhas partes íntimas se minha depilação da virilha não está em dia, não é?
Pensei nisso e abortei o Vagisil pocket como próximo item da minha necessaire de primeiros socorros.
Lembrei-me de quando eu tomava Ziban pra ajudar a parar de fumar. Aquela porcaria esburacava meu estômago, por isso eu não fumava. O que me tirou do vício mesmo por seis meses foram os rechaçados adesivos de nicotina.
Eu não consegui me livrar mesmo do hábito de comprar cigarros. Tinha um boteco na frente de meu antigo emprego onde eu parava toda manhã pra comprar meu cancêr pocket.
Visando minha mudança de hábito, passei a parar todos os dias na farmácia, ao lado do boteco e para simular ridiculamente a sensação táctil de ter um box 20 filtered cigarrets, eu comprava uma caixa com 500 grampos nro 5 da marca TEMOSO (eu sempre achei que o cara esqueceu o I na hora de registrar o nome fantasia da fábrica porque esse nome não faz o mínimo sentido).
Depois de acumular 20 caixas de grampos para o desespero de minha irmã, com quem eu divido meu banheiro, voltei a fumar.
Hoje eu carrego 2 maços na bolsa e tenho um no carro pras eventualidades (falta de cash na carteira) e na necessaire de emergência médica, incluí um drops de Halls preto, porque nunca se sabe.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

LSD com tarja vermelha

LSD uma porcaria, eu aposto no Benflogin. Medicamento barato, 5 conto, que produz as mesmas sensações que o ácido lisérgico.
Com ele faço viagens psicodélicas e animo as baladas em showzinhos particulares e de quebra ganho uma gama de imagens que faz uma parede converter-se em um jardim multicolorido e vejo pássaros e interajo com eles
O Benflogin, que combate infecções e é indicado até para acalmar coceiras em crianças. Em altas doses o antiinflamatório, aparentemente inofensivo, é capaz de desencadear processos alucinógenos. Isso acontece graças aos efeitos psicoativos de seu princípio ativo, o cloridrato de benzidamina.
Eu, quando mais nova, atualmente em vezes mais espaçadas ,incrementava os fins de semana com a ingestão de oito a quinze comprimidos da ''poção mágica'', tomada com bebida alcoólica ou refrigerante. ''Via raios pelo ar e até a aura das pessoas'', usei pela primeira vez no Colégio que estudei era a modinha da época.
Pesquisas realizadas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo, revelam que os meninos de rua descobriram o remédio em 1993. Os estudantes de classe média começaram a usá-lo quatro anos depois, e agora o uso virou uma febre.
A ''poção mágica'' acelera o meu potencial criativo e já ensaiei encenações maravilhosas, como imitar ornitorrincos com uma tal veracidade que me imaginava no Simba Safári interagindo com todas aquelas pessoas que possuem o fetiche de assistir com felicidade plena à aqueles animais em extinção engaiolados.
O Benflogin me deu uma bad uma única vez, mas com ele me sinto liberta. Ressaltando o barato pode causar hemorragia intestinal e danos nos rins.
Eu não sou exemplo, apenas cito as minhas experiências de uma pessoa que se desiludiu com a realidade e achou uma brecha em alguns tarjas pretas e vermelhas.
Se existissem tarjas brancas poderíamos parodia-los com a tricolor banda White Stripes!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mítica do Prozac

Medicina. O que é? Passando os olhos pelos meus cadernos de anotações antigos, percebi que minhas complicações vem de longe, longe.

Achei que tinha certo status mencionar em uma roda que eu me medicava com Prozac e Lexotan. Acho que era sinônimo de modernidade sentar e discutir o que os remédios provocavam no meu comportamento.

Eu li, me informei, até assisti Geração Prozac. Os dramas da bonita no filme eram até bem parecidos com os meus (não, meu pai não me abandonou e nem me iludiu com promessas de afeto não cumpridas).

A verdade suprema é que essa bombinha recaptadora de serotonina conduziu minha mente a um estado meio afastado de mim onde os dramas não são tão dramáticos.

A verdade é que, assim como no filme, consegui mais clareza para executar o que pretendia, sem me enredar nos parangolés que a vida dá na gente.

A fluoxetina pode ajudar por um tempo sim, pela vida toda talvez. Tem nutricionistas, endocrinologistas e até geriatras receitando. A banalização do medicamento é espantosa, vende-se a rodo mesmo com a existência de novos hits da psiquiatria que representam a evolução da indústria farmacêutica.

Admito que a medicação me ajudou e me ajuda a trabalhar os enfrentamentos da vida analisando-os com mais tranquilidade e estabilizando os arroubos emocionais, mas constato que para receber a alta do terapeuta, teremos que comer muito capim e buscar com todas as forças as respostas, aceitações e a confiança que tanto nos faltam.


Efeitos adversos - porque tudo tem um preço:

O prozac diminuiu minha libido consideravelmente a ponto de eu me comportar como uma abobrinha na cama (Muito grave)

O prozac me fez voltar a fumar depois de 6 meses sem cigarro, consequencia dos picos de euforia gerados pela ansiedade (O que é um palito de dente pra quem já está com um poste no c*?)

O prozac me fazia beber litros e litros de água (Ah, algo bom)

O prozac me fez dar um abraço sincero na minha mãe (Lágrimas)

O prozac misturado com álcool me transformou na Madonna (Na melhor fase dela).


A personagem de Christina Ricci em Prozac Nation num momento de bloqueio criativo e falta de banho.

domingo, 27 de julho de 2008

Apraz e Rock n' Roll


Achei que tinha achado a fórmula entorpecente perfeita para "a passagem" para a outra dimensão, aquela onde deve estar o Jim Morrison ou o padre que voou estupidamente sem saber o que fazer com o GPS.
Três tragadas no baseado, uma dose de Jack Daniels com gelo e dois Apraz e tive doces sonhos com muito, mas muito sono no dia seguinte.
O espírito junkie de porco impõe ao psiquiatra que eu ainda quero todas as drogas, eu quero alienação total. Mas não. Eu não quero isso.
Eu quero sentar no balcão do pub, saborear meu Jack, fumar dezenas de cigarros e comer amendoim sujo e contaminado dos dedos dos outros podreras que aparecem lá. Quero falar merdas com o meu gato ali, nas cadeirinhas apertadas daquele moquifo e retocar meu batom vermelho no mesmo espelho onde um metaleiro cabeludo esta se ajeitando depois de fazer xixi.
A boemia é algo presente e necessário em mim. O dark side, o tim-tim dos copos, o visual das garrafas, as figuras bisonhas alimentam meu ideário de personagens.
Por que eu preciso ver coisas bisonhas? Por que ver gente feia é tão divertido? Cara, eu sinto um prazer indescritível em ver bizarrices. Excentricidades? Aham. Com certeza, eu sempre me apaixono por segregados sociais, esquizóides, sociofóbicos, suicidas potenciais e adictos.
É a síndrome de Madre Tereza ou minha vontade de mudar nos outros o que não mudo em mim?
Benzo deus!

Pam, Pam, Pammmmmm!!!!

Ultimamente o meu amigo Valiumozo tem sido o meu honrado companheiro. Ele sempre está nos bolsos das minhas calças, entre os meus seios, nos meus sutiãs, nas minhas bolsas, nas minhas carteiras, mas principalmente no meu estômago e de preferência bem diluído.
Ele faz parte da tribo do Pans, ele é o mais sábio e o mais velho deles. Apesar das inovações tecnológicas, sempre recorremos a ele e é indescritível a sua ação no meu corpo.
Eu escrevo fluidamente, danço como se o meu corpo fosse um instrumento, pinto com veracidade e as cores da minha arte, em um todo, dizem muito do meu estado de espírito, diria até espiritual! Uso cores pastéis, tão flutuantes e como me sinto bem com o meu Valiumozo amigo!
O Valiumozo promove desdobramento de corpo, um fenômeno parapsicológico. Enquanto estudiosos chegam a esse fenômeno com técnicas, em sua maioria, frustrantes. O Valiumozo promove tal estado, em alguns minutos!
Adoro todos os seus amigos da turma dos Pans, o alívio é imediato! E a realidade se torna tão acessível, como é bom!!!!
O Valiumozo deveria estar contido na água da Sabesp, pois a população seria menos indomável.
O Valiumozo é um fiel escudeiro raro nas relações cotidianas. Eu indico!!!

E... Pam, Pam, Pam!!!Que soem os trombones, que eu vou passar, ops flutuar.

sábado, 26 de julho de 2008

Cena 1!E abram as cortinas!!!

Um front no Frontal, um Frontal alivia o presente.
Um front no Frontal para uma ansiedade pré-palco.
E com um front no Frontal me apresento em meio a devaneios.

Fabulosa Farmacologia!!!

Terminou com o namorado ou tomou um fora???Final de semestre na faculdade???TPM???O Trabalho não flui???Desempregada???Encalhada???O mundo parece que conspira contra você???

Toma um Rivoltril que passa!Eu mesma sou usuária desta fabulosa invenção, há dias que algumas gotinhas mudam tudo a minha volta.

Qua Quará Quaquá

Ontem estava ouvindo a Elis Regina no album Trem Azul e senti que realmente o sol estava em minha cabeça, usando a metáfora pobre do sol como algo te esquentando a cabeça.
Certamente o dia confuso que tive deixou claro que a necessidade de questionamento existencial se tornou maior que o de costume.
Me sinto chata. Me sinto muito chata. Minha cabeça dói latejando. Como um balão inflando e desinflando (como a propaganda do Luftal, descartando a possibilidade de ter gases na cabeça).
Eu sempre lembro da propaganda da Neosaldina, aquela em que uma porção de jovens toma um porre homérico numa noite e no dia seguinte chamam uma "neozinha".
A Neozinha é parte do kit de sobrevivência do cidadão moderno que trabalha muito, dorme pouco, passa horas sem comer e ainda toma uma carcada do chefe (no mesmo dia). Talvez uma Neozinha com um café, pra turbinar na cafeína, já que somente a dipirona não bastou.
Tem tanta Neozinha na minha bolsa, acabei de ver. Sinto até uma decepção quando demoram pra ser consumidas. É horrível, né? Minha relação com o fabricante dessa maravilha pós moderna é de amor e ódio.
Duas já bastam pra não exagerar e ficar mole (evitando sempre a superdosagem). As vezes a cafeína estimula demais e dá taquicardia (sem exagerar, meu caro). Aí é só dispensar o café.
Depois do "Trem Azul" , ouvi "Me Deixas Louca". Bela canção de amor onde, no show ao vivo a Elis diz que cantar evita rugas e câncer. Será? Ela teve poucas (lógico, não deu tempo) mas ela riu, sempre, mesmo com o sol na cabeça.
Mais um Eme eme com cafeína poupado.